domingo, 25 de setembro de 2011

Só de pensar que posso deixar para trás das costas o peso que me faz ter de depender - agora- daquilo que muitos consideram um acessório. É até uma ofensa, aliás, uma grande ofensa para quem tem de ter sempre a companhia contínua e necessária de um objecto. Pensar que posso, em apenas 10 minutos, conseguir ter uma qualidade de vida melhor (que muitos nem a questionam pois é-lhes natural)nem sei... possa acordar e não ver tudo turvo, (sim, mesmo tudo), não ter que meter esse tal "objecto", não ter complexos (que são muitos e muito difíceis de conviver), poder sentar-me no sofá e não ter algo desconfortável a exigir que me meta numa determinada posição para conseguir ver, poder comprimentar alguém sem ter que lhes desviar o seu "acessório" (casos o tenha) para que não "embatam" nos meus, poder ir tomar banho e conseguir ver (sim porque com o tal acessório é complicado), poder ter tanta coisa. No fundo, é poder ser eu. Poder ser eu tanto fisicamente, sem esse tal acessório que cada vez mais me modifica a imagem, como psicológicamente pois estas circunstâncias afectam a minha vida desde sempre, desde que me conheço. Não sou feliz desde esse tempo, posso ser injusta mas também sou justa ao falar que não posso ser feliz quando não estou bem comigo própria. Fui feliz em tempos que podia colocar um bocado de plástico em cada olho e deixar para trás os grandes complexos que tenho. A totalidade de felicidade que possa existir numa pessoa, essa nunca existiu em mim e saber que pode nunca vir a existir nem sei o que pensar. É um grande sentimento de revolta e tristeza, de mágoa e de fraqueza que se apudera de mim de uma tal maneira que nem sei que consequências poderá provocar em mim. Este é um tema que virá muitas e muitas vezes até aqui porque afinal acompanha-me todo o dia, de manhã, de tarde, de noite, nos meus sonhos, nos meus dias, na minha vida.

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